quarta-feira, 29 de junho de 2011

Azul e Vermelho...

Eu mesmo, por vezes, me queria mais distante
Com mais medo ou com menos de mim
Não sei...
Céu e inferno
Ying e Yang
Azul e vermelho
Tudo tão certo que parece estar errado
“Uma certa impressão. Uma certeza imprecisa...”
Ainda não sei onde há erros
Tão pouco se os acertos são meus
Procurar problemas onde não existem?
Talvez!
Inventar soluções pro todo dia
Não deixar que virem soluços
Das dores não choradas ou alegrias adiadas
Eu mesmo queria me entender por dentro
Mas ninguém mais me vê tão afundo
Quem mora dentro de mim
Me vê forte, maior e melhor do que eu sou
Ou então me ama mesmo assim...
Com meu turbilhão de defeitos e medos infundáveis
Neuroses e dúvidas que trago há mais de 30 anos
Me ama com todos os “poréns”, “apesares” e afins
Que possam acompanhar quaisquer frases que me definam
Eu entendo
Também sinto assim...
Amo demais com “contudos” e contrapontos que teimam em não fugir de mim
Isso nos faz inteiros...
Certos do caminho...
Saber que posso ser assim me tira as dúvidas ali de cima...
Inventar soluções, soluçar e solucionar o dia...
Deixar de olhar tão fundo quando é pra dentro
E ver que o que te completa não mora em ti...
E sim na perna que pesa na tua durante a noite...
Na cabeça que repousa no teu ombro...
Na boca que te aquece pra vida toda...
Azul e vermelho
Ela e eu...
Assim... simples...


Mateus Carneiro
20:14 – 29/06/11

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Silêncio!


Silêncio!
O corpo pede silêncio
E tudo em volta é ruído...
“Um copo de silêncio com dois dedos de água pura”
Seria um bom início pra um dia como esse
Na falta do vácuo
O som estremece os ouvidos
Um grunhido alto, rasgando e marcando por dentro
Uma tatuagem na alma
Na pele, mas pelo outro lado
Silêncio!
Pede a velho professor chamado tempo
Em sua didática não cabem dúvidas
Ele não se dá para elas
Onde buscar o vazio se não dentro de nós mesmos
Como se encontrar em si se moramos no corpo ao lado
Que mora na mesma cama
E por vezes foge pro limite
Entre o que é lençol e o que é frio
Silêncio!
Só pra ficar cuidando...
Ninando o sono pesado
Os sons de calma e vontade
Ouvidos ligados na escuridão do quarto
Um passo em falso
E a certeza tropeça no ontem
E tudo em volta vira ruído...
Mas hoje...
Silêncio!
Preciso ouvir teus passos vindo pra mim
Como se fossem os primeiros na minha direção
Teu coração batendo perto da minha boca
Teus poros rindo na minha mão...
Ouve... canta o silêncio com a tua voz macia
Sem rancor ou mágoa...
Com a mesma certeza
Que há tempos se mudou pra dentro de nós...



Mateus Carneiro
26-05-11 – 13:37

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Não Sei...

 
Não sei por onde anda minha segurança...
Acho que hoje ela dormiu mais que eu
Perdeu a hora... o rumo...
Tô assim... folha solta no vento...
Não deveria nem te dizer isso...
Entendo tua vontade de ficar só...
Queria querer também...
Mas minha solidão precisa da tua companhia...
Mas essa certeza que trago comigo
Me acalma, ma traz teu riso na cabeça...
Teu cheiro eu sinto como se tu tivesse aqui
Quero isso pra sempre...
A certeza... o cheiro... a mão... o carinho
De quem sempre esteve perto
Mas só agora vive dentro de mim...

sexta-feira, 29 de abril de 2011

Palavras de Amor...


O cheiro que mora na pele
A roupa que foge do poro
O grito, o silêncio
O gosto que é só teu e é meu
Saliva e gemidos...
As marcas das unhas cravadas às costas
São palavras de amor em braile
São palavras de amor toda palavra
São nossas palavras
Logo só cabem ser de amor...
O desejo e a insanidade
O medo... a vontade...
A vida inteira agora...
Na tua boca
Na tua pele
No teu corpo
Onde eu moro
Onde só eu tenho leito
Onde me deito por prazer, por amor
Por todos os sempres de couberem entre nós...

Mateus Carneiro
24/04/11 – 21:42

domingo, 3 de abril de 2011

Soneto da Verdade


Pois se faz verdade e fato o que sinto
Sendo em meu interior que nasce
E brota como lágrima na face
Em puro amor o que não omito

O que fortalece a cada dia
E a cada encontro que temos
Pois dentro de nós, já sabemos
O que nos causa alegria

Sendo nosso o que é inteiro
Amor este, verdadeiro
Faça-se forte e puro

Posto que este seja imenso
Tal qual o sentimos intenso
Em mim já é eterno. Eu Juro!


Mateus Carneiro
03/04/11 – 11:18

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Ah! Essa Boca!


Ah! Essa boca...
Me toma, me bebe
Como se eu não me pertencesse
E já não me pertenço...
Não sou dono de cada passo
E isso ainda é liberdade
Meus poros me guiam
Me levam pro teu colo
Todo dia
Toda hora
Pra vida inteira
Ah! essa boca...
Me toma
Me faz sedento
Como se água não bastasse
E não basta
Pra matar a minha sede de ti...


Mateus Carneiro
26/02/11 – 01:00

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

À um Jazz de Chet Baker


Num bar qualquer
Onde a dor é companhia
O passear dos dedos na pedra de gelo
Daquele copo de uísque barato
Um jazz toca longe como alento
Como tormento ainda maior
Pra uma alma em desespero
Queimando os dedos e a sobrancelha
Como quem avisa que a tristeza é a parceira mais fiel dessa noite...

Mateus Carneiro
14/02/11 – 15:39

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Quando falta a paciência...


Quando falta a paciência
O coração se cala
Quem grita no ouvido
É aquela voz te dizendo...
Corre, vai pro alto daquela montanha
Reza, pede pela calma que a vida tem te dado (às vezes)
Usa a tua fé pra enxergar na frente
Ver o mar calmo, o sol leve, a vela estufando
Chega lá no alto sem tirar os pés do chão
Sem tirar os olhos do papel
Voa longe, bate asas e pousa de volta
Respirando fundo
Pensando no muito
Tendo a certeza de todos os amanhãs...


Mateus Carneiro
10/02/11 – 14:58

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Preciso te contar tudo...


Eu sei... preciso te contar tudo
Eu não posso mais...
Não consigo...
É isso que meu rosto dizia
Quanto tu perguntava o que eu tinha...
Não tem mais como esconder
Nem razão eu encontro pra não falar...
Não dá...
Simplesmente, é impossível!
Eu não sei por onde começar
Por ser cedo ou doido
Por não ter lutado
Mas chegou num ponto
Onde ou eu te conto...
Ou eu vou explodir...

Não dá mais pra viver sem ti
Eu não sei mais nem respirar
Sem ser pensando em ti
Eu te amo!
Pronto... falei...
Grito ao mundo sem dizer uma palavra
Quando o silêncio é necessário...
Não consigo mais ver nada à frente
Onde não haja nós dois... juntos
Uníssono, no mesmo tom... mesmo ritmo
Como naquelas canções antigas
Que minha mãe cantava pra me ninar
É limpo, é leve... é teu cada suspiro
Cada segundo...
Cada dia da minha, da nossa vida
Até sempre...

Eu sei... eu precisava te contar
Não podia mais guardar isso sozinho...
Agora... toma conta de tudo...
Alma, coração e palavra...
O que é clara, o que pulsa, o que fala...
É, a partir de agora...
Só teu...

Mateus Carneiro
08/02/11 – 21:48

domingo, 30 de janeiro de 2011

Coisas...


Tem coisas que não tem como contar
Nem cantar...
Não haveria a música certa...
Mesmo que eu escrevesse ela
Há coisas maiores que o tempo
Maiores que nós
E sem nó nenhum a desatar
Limpo, claro e leve
Como um dia de sol
A brisa no rosto
O abraço, o beijo
O gosto do novo como se tivesse há séculos ali
Tem coisas que não tem como mensurar
É simplesmente maior
Maior do que o peso que tem nas linhas
Nas entrelinhas
No livro inteiro
Não haveria a poesia certa
A rima perfeita
Nada seria justo
Nada pode apontar no horizonte
Mais forte que esse sol que se cria
Dentro do peito, da boca pra dentro
Nada é mais forte que o hoje
Nada é mais bonito que os amanhãs
Que as manhãs, cinzas ou não
Desde que venham com teu hálito da manhã
Num beijo de bom dia
Num olhar de pra sempre...

Mateus Carneiro
30/01/11 – 22:01


domingo, 23 de janeiro de 2011

4 em 1


decorar
cada milímetro
sentir o cheiro de cada poro
o tamanho  do seio...
a circunferência da coxa...
com a mão... com a boca...
o gosto...
o sabor...

é tudo tesão e poesia...
a falta de sentido acaba quando minha mão encontrar tua pele
a palavra acaba quando o silêncio é a melhor pedida
teu sussurro... música...
teu gemido... o tom certo para as noites em claro que quero contigo...

e perdoe a física em colocar o corpo perto estando longe
me perdoe a invasão de estar a agora...
deitando no teu ombro... te fazendo poesia... mais uma vez

me desculpa a nudez da alma...
pode ser muito cedo
mas... é verdade
a nudez da minha palavra é, sinceramente... só tua,,,
tu me dá vontade de escrever... de tocar
de te fazer música

domingo, 16 de janeiro de 2011

Vontade...


O uivo do vento
O gemido do tato
Vontade em cada poro
Em cada troca de olhar o convite
Teu gosto na ponta dos dedos
Tua boca no meu ouvido
Teu vestido pedindo pra fugir do corpo
Meu corpo pedindo pelo teu
Toda a noite seria pouco
Pro todo que eu quero contigo


Mateus Carneiro
16/01/11 – 16:12

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

BOCA


A vontade da boca sedenta
A mão busca o gosto da alma
O olho entorpece o desejo
Cala qualquer sentido
Pra que sentido, nexo ou direção
Cala...
Eu mudo a trajetória do pensamento
Meu olhar... não!


Mateus Carneiro
28/12/10 – 14:36

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Queria que tu fosses noite


Queria que tu fosses noite
A certeza te de encontrar sempre
Sob um luar estrelado e manso...
Mas tudo que foi é chuva de verão...
A ventania que precede o escuro
Que leva embora o sol
Me assusto com as trovoadas
Rezo pelas gotas
E me banho de saudade
Como criança que espera pela correnteza na calçada
Pra brincar com um barquinho de papel...


Mateus Carneiro
15:33 – 20/12/10

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

...a te olhar nos olhos


Certa noite me peguei a te olhar nos olhos
A dizer que te amo
A pensar que o poeta estava errado
Que o pra sempre não acaba
Esse mesmo poeta que morreu por amor
Sem provar o sempre
Nessa mesma noite me peguei a pensar como um outro poeta
E a ter o medo que aquela poesia me deu
O tremor de morrer por “amar mais do que pude”
Mas como dar medida ao infinito
Dar números ao incontável
Então me peguei a pensar em ti
E ver que todas as outras poesias
Por mais belas que sejam
Não fazem a verdade
Então que eu morra te amando
Pra poder morrer em paz
Morrer feliz...
Naquela noite percebi que não mentia
Ao te olhar fundo nos olhos medrosos
E ver que ali morava meu coração
Naquela noite vi que tudo que eu queria
Estava naqueles olhos castanhos
Que me chamavam pra perto
E me mostrava que a poesia mora
Nesses corações amantes como o meu


Mateus Carneiro
01:09 – 30/01/01

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

¿Medo?


¿Medo?
Talvez...
De ler mentiras no espelho do banheiro
De ver mentiras ao ser olhar nesse espelho
Medo de preferir areia movediça à terra firme
Medo de mentir pra si mesmo
Medo do leão que devora o peixe
Mais por fome que por gosto
O cigarro dando um adeus lento no cinzeiro
O copo que se esvazia rápido
E a inveja que não ficar vazio
O barulho do teu silêncio no meio da madrugada
Como trovoadas e relâmpagos em dias de sol
Medo de o cigarro apagar antes de mim
Medo d’ele durar a noite toda...
¿Medo?
Talvez...
De se acostumar com o que não concordo
De achar normal ver o que não me atrai
E terminar com um café...
Pra adoçar o coração e amornar a alma...


Mateus Carneiro
13/12/10 – 17:31





quinta-feira, 18 de novembro de 2010

E agora já era...


E agora já era
Caem por terra as marcas...
As roupas...
O sabor é novo e a textura também...
Já foi tudo que era tatuagem...
Na pele outro cheiro
No corpo outro tempero...
Uma noite inteira em claro
Pra deixar tantas outras pra trás...
As cicatrizes ficam por dentro
Na lembrança, na carne...
Mas a alma faz de conta que ta curada...
Que não lembra do gosto macio
Do corpo pequeno...
Da pele suada por tantas razões...
Agora já era...
Já foi
Passou o tempo do ontem
E o tempo agora
É meu mais novo amigo de infância...


Mateus Carneiro
10/10/10 – 14:11



sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Te Amo...


Te amo no escuro
De olhos vendados
Te amo sem precisar
Sem esperar te amar menos
Te amo no tato
No paladar de cada poro
Te amo...
Por não querer te amar...


Mateus Carneiro
05/11/2010 - 01:25

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Eu confesso!


Eu confesso!
Não tiro da cabeça uma madrugada inteira
Mesmo que ela não entre na tua
A cor, o toque, o teu gosto na minha boca
O som do copo ficando vazio
A roupa caindo, a língua
O som da porta fechando forte
A simples vontade do todo
Do agora, sem nexo nem responsabilidade
O meu gosto era qualquer um pra ti
Mas o teu não sai da minha pele
Eu confesso!
Outras noites me fariam inteiro
O mesmo gosto não...


Mateus Carneiro
18:53 – 02/11/10

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Meio Irracional


Eu acho meio irracional a literalidade
Por muitas vezes falta um certo tino
Um ponto partida ou chegada
Um ponto de exclamação era tudo que eu queria
Nas interrogações reticentes
Que me prendem a cada falta de inspiração
Eu respiro lento como se o ar pudesse extinguir o sopro
Por mais que eu procure nexo
Ele foge a passos largos
Da menor condição de ser explicado
Em meio ao literal
É racional pensar de forma reta
Por mais que nessa estrada
As curvas tomem conta
De tudo que se faz caminho


Mateus Carneiro
21/10/10 – 19:04

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Vontade de falar baixinho...


Tu me dá vontade de falar baixinho
Sussurrar...leve
Falar tudo que o corpo pede
Que a alma implora e sente
Tu me da vontade de ser louco...
Desses loucos de viver amarrado...
Eu viveria amarrado no teu mundo
Se o teu mundo fosse todo meu...

domingo, 24 de outubro de 2010

Quem eu conheço...


Quem eu conheço entre máscaras e maquiagens
Entre muros e grades
Entre murros que a gente teima em dar
Nas pontas das línguas mais afiadas
Quem eu vejo atrás do batom vermelho
É mais forte
É mais limpa
Mais inteira que uma noite inteira
Quando se olha a casca
Poucos enxergam por dentro
Eu te li
Decorei uma das pessoas que vivem aí dentro
E mesmo assim, de longe, eu continuo lendo
Mas sem nunca saber quem ta virando a página
Desse livro de capa dura e páginas macias
Úmidas pelas lágrimas que as dores do esquecível trazem.


Mateus Carneiro
15:24 – 24/10/10

domingo, 17 de outubro de 2010

Do desejo à flor da pele... Que não se faz rosa



Até quando
Até sempre
Sempre quando nunca
Até onde
Até quanto
Quanto cabe aqui
Sendo amor
Sendo carne
Quando cabe aqui
Até quando
Até quanto
Nunca parei pra te ver minha
Por onde se faz visível
Mesmo sendo impossível
Não te querer
Mesmo sendo tempo
Mesmo não tendo tempo
Por ser distante quando necessário
Até que prove
Carne e suor
Até que prove o contrário
Paixão e desejo
Até que eu sinta teu gosto
Na ponta dos meus dedos
Por quando é erótico
Por então, sendo físico
Por tesão, sendo ótico
Mesmo sendo desejo
Supondo que seja música
Sempre assim
Quando vejo
Te quero encanto
Te quero dúvida
Por sempre se faz sincero
A vontade à flor da pele
No toque que nunca espero
Na mão que me repele
Por paixão
Ou por angústia
Por quando é saudade
Por sempre solidão
Pela distância que invade
Me carrega pela mão
Do desejo à flor da pele
Que não se faz rosa